Desconfio que nunca fiz a A1 tão rápido. Mesmo assim, o gozo ao volante é tanto que atraso-me a devolver o carro.

Abril, águas mil. Não sei se quem o disse estava ao volante dum GTI, a cruzar estradas secundárias entre Ovar e São João da Madeira, numa manhã invernosa e lamacenta de domingo, mas seja quem for o autor da máxima… tinha razão. E repito-a agora enquanto aprendo - involuntariamente - a fazer drifts.

“O sonho dos meus amigos é ter um GTI / Não importa de que marca / ou de que cor”, cantava Manuela Azevedo, porta-voz dos Clã. E eis que, graças à generosidade do Autohoje, junto-me enfim à linhagem desse clã privilegiado: ao volante dum alvo e puro Golf GTI, automóvel que me saiu em sorte este mês.

Canto estrada fora, sobretudo quando o pântano deste abril a precisar duma revolução contra o inverno, assusta. Por que quem canta, seus males espanta.

Atendo a todas as indicações do extraordinário sistema de navegação do Golf pois quem te avisa, teu amigo é.

Não acelero demais na portentosa opção Sport porque quem tudo quer, tudo perde.

Tento até, a maior parte do tempo, fazer consumos decentes contra um motor bebedolas pois já se sabe: mais vale um pássaro na mão do que dois a voar e, a propósito do algarismo, homem prevenido vale por eles.

Sinto que não tenho unhas para esta guitarra – em casa de ferreiro, espeto de pau; e imagino o que um leitor mais ferrenho e apaixonado gozaria ao volante deste clássico instantâneo – dá Deus pérolas a porcos (óinc, acrescenta o humilde escriba).

Desconfio que nunca fiz a A1 tão rápido, mas a pressa é inimiga da perfeição. Mesmo assim o gozo ao volante é tanto que atrasar-me-ei a devolver o carro, mas mais vale tarde do que nunca. Dou boleia a miúdas seduzidas pelo bólide, pois mais vale só do que mal acompanhado. O excesso de confiança leva-me a um susto em aqua-planning, porque quem anda à chuva molha-se. Deixo uma amiga conduzir o GTI porque quem não arrisca, não petisca. E bato recordes em pistas como Monza ou o circuito citadino do Mónaco porque sonhar… não custa.

E pronto, se calhar deixo o povo – que é sereno – em paz, por hoje. O seu serviço cívico foi mais do que cumprido ao longo da croniqueta. Lembrei-me do significado literal de Volkswagen, e não resisti. Agora, se o leitor me permite, vou ligar o sport uma última vez – que pena a caixa ser automática! – e ir a deslizar em drift até ao Autohoje. Vá, todos comigo agora… 1, 2, 3: “O sonho dos meus amigos é ter um GTI” (…)

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