Há mails que vêm por bem

Troca de correspondência entre dois amigos, dois comediantes, dois gajos que não percebem pevide de automóveis:

Luís Filipe Borges e António Raminhos.

Raminhos, mekiéééé

(sempre sonhei ver este nosso cumprimento na imprensa escrita. Já está! #bucketlist)

DS. Podiam ser as iniciais dos Dire Straits, duma Damiana Soraia ou dum Dinis Salvador. Mas não. É uma marca nova. Em folha. E em chapa metalizada, alumínio, algum aço, quiçá tungsténio. Os engenheiros não brincam. E carro feito de folha só me lembro daquele que o Pedro Matos Chaves conduziu em tempos idos na Fórmula 1. Uma era gloriosa para o piloto português. Cerca de 8 minutos, para ser mais preciso.

Uma marca nova marca. É o regresso ao paraíso antes do pecado original, uma ressurreição, um bebé a caminho do baptismo, um privilégio. Pois o Autohoje confiou este mês um DS a cada um. E, ao volante do meu DS4 Crossback 2.0 BlueHDI 180 EAT6 – belo cartão de visita – apeteceu-me, sendo a marca nova, acumular caminho numa verdadeira senda épica de façanhas nunca antes por mim concretizadas, mas sonhos de sempre. Se é para estrear, que seja em grande. A saber:

- atropelar uma daquelas pessoas que insiste em atravessar fora da passadeira, sem aviso prévio ou sequer olhar para a m**** da estrada;

- passar a ferro o engenhoso que se lembrou de colocar passadeiras na boca de rotundas;

- abrir a janela, abrandar, e dar um high-5 ao polícia-sinaleiro sito no cruzamento onde se inicia a Calçada da Ajuda #respect;

- bater aquele recorde que envolve o Júlio Isidro e um Mini;

- atirar ovos estilo drive-by shooting a todas as queijarias, temakerias, champanherias, e demais “substantiverias” deste irritante neo-mundo hipster;

- impedir a compra do enésimo radar mediante fuga aparatosa a uma operação stop #caçaàmulta #stop #brincadeirinha;

- arrombar uma repartição de finanças para inquirir, suavemente, sobre o porquê do Estado ver o sector automóvel como a vaca leiteira do Orçamento. E depois pedir ao reboque para depositar o que sobrasse na escadaria do Parlamento.

Enfim, sonhar ainda não paga imposto. E ao volante do CrossBack dá para fazê-lo de olhos abertos. Ao menos estes sonhos não se esquecem.

Luís Filipe BORGES

Sonhar ainda não paga imposto. E ao volante do CrossBack dá para fazê-lo de olhos abertos.

Como estás meu excelso companheiro Luís Filipe

(Eu resolvi cumprimentar-te como nunca o fiz na vida)

Não te aconselho a fazer nada disso! Pronto, faz só aquela de dar cabo do indivíduo que se lembrou de fazer passadeiras nas saídas das rotundas. Mas é verdade. A DS é uma marca nova que, no entanto, nasce de um ícone dos anos 60, o famoso boca de sapo – que era também a alcunha que dávamos a uma colega minha na preparatória. Tinha uma boca tão grande que não íamos com ela ao refeitório. Ela era o próprio refeitório!

Tive nas mãos um modelo um pouco diferente do teu. O DS5 1.6 BlueHDI 120 cv e este não é CrossBack, é Be Chic. Porquê? Talvez pelo mega tecto panorâmico e pelos acabamentos que dão vontade de estar lá dentro a beber Möet & Chandon e a comer caviar.

Esse é o pormenor que me deixa apreensivo no mundo automóvel. Não os detalhes dos carros, mas sim as suas definições. Passo a explicar: quando disseste DS4 Crossback 2.0 BlueHDI 180 EAT6 pensei: “Ah...claro! É um carro!” Não percebo patavina! Mas isso sou eu, que sou ainda um bocado “tacanho” neste mundo. Não vou dizer um bocado “gaja” porque haverá mulheres que percebem perfeitamente o que quer dizer a designação da máquina em questão.

Podia estar escrito DS5 Micro System ABS Blueredgreen Fight HDI DDI Sex Machine Kinder Delice que eu diria: “Quero”! E diria “quero” só porque gosto muito de Kinder Delice.

Um ponto fica claro: os carros estão, cada vez mais, estupidamente confortáveis. E a DS (que, ficas a saber, quer dizer também deusa em francês) é um bom exemplo disso. O motor e o consumo são partes fulcrais, mas o “sentir-se bem” continua a ser um ponto a favor. E essa é, no fundo, a minha sugestão. Para mim, e talvez só para mim, faria muito mais sentido em vez do DS5 1.6 BlueHDI 120 cv Be Chic uma descrição a dizer “DS5 Bué confortável e bonito”.

António RAMINHOS

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