Num momento em que se fala do fim dos motores Diesel (teoria ainda sem grandes bases de sustentação), os híbridos serão um dos pilares do futuro da indústria automóvel. A Toyota quer provar que o novo Yaris terá mais sucesso na versão Hybrid que na 1.4 D-4D e que será o grande concorrente de utilitários alimentados a gasóleo. O sempre presente VW Polo 1.4 TDI e o novíssimo Nissan Micra 1.5 dCi “lutam” para provar que o gasóleo ainda tem margem de progressão.

O s números falam por si. Cerca de 75% dos Toyota vendidos na Europa e 40% dos Yaris vendidos em Portugal são híbridos, o que diz bem da representatividade desta tecnologia nos números de vendas da marca japonesa. E o objetivo passa por deixar de lado o Diesel em alguns segmentos, tal como a Lexus já fez. O dos utilitários será um candidato a deixar de ter motores a gasóleo e o Yaris um dos escolhidos. O restyling da gama aposta forte na versão híbrida, mecânica disponível em todas as versões, colocando de lado o 1.4 D-4D de 90 cv que fica apenas destinado às versões mais “baratas”. Assim, e tendo em conta a forte aposta do importador na versão gasolina/elétrica, nada melhor do que a colocar frente a dois rivais diretos, mas com motores a gasóleo: o eterno VW Polo com o não menos eterno 1.4 TDI, e o recém-chegado Nissan Micra 1.5 dCi, ambos com motores de 90 cv de potência. De referir que o Micra assume uma nova filosofia, sendo um automóvel voltado para a personalização e para um público jovem, mais focado na dinâmica, abandonando a conotação “low cost” da geração anterior.

Bem seguros

A versão do Yaris Hybrid (motor 1.5 VVT-i de 100 cv – potência combinada) escolhida para este trabalho, foi uma Square Collection, que resulta do recurso a alguns elementos decorativos específicos e a um reforço do equipamento de série. No exterior, as mudanças que mais saltam à vista são o tejadilho e os retrovisores negros, as jantes de 16”, os vidros escurecidos e o spoiler traseiro. Já no habitáculo destacam-se o ar condicionado automático, o cruise control e o sistema Toyota Touch&Go2 com bluetooth, câmara traseira, aviso de colisão frontal e leitor de sinais de trânsito, sendo estes dois últimos elementos uma novidade no modelo. Já o Micra surge na versão N-Connecta, com diversos equipamentos disponíveis, de segurança, aviso de transposição de faixa de rodagem, leitura de sinais de trânsito e aviso de colisão frontal, e conforto, mas também algumas opções, como as jantes de 17”, a câmara de 360º ou o amplificador de som Bose. Já o Polo, o mais antigo dos três em confronto, aposta na imagem e na qualidade para vingar, uma vez que os elementos de segurança resumem-se aos airbags e ao ESP...

Obviamente que, auxiliado pelo motor elétrico e contando com uma caixa “automática”, o Yaris é mais rápido nas nossas recuperações, mas, acredite, no dia a dia, o VW é mais polivalente, sentindo-se como peixe na água em ambiente urbano, mas não se sentindo demasiado deslocado num percurso em estrada aberta. O ruído do motor, sempre presente no habitáculo, é o que mais desagrada neste Polo. O Micra também consegue ser muito abrangente, e dá-se bem tanto em cidade como em estrada, ainda que o motor seja um pouco ruidoso, especialmente a frio, e a caixa de velocidades pouco precisa.

O Yaris, por exemplo, é o companheiro perfeito na cidade, mas perde muito conforto de utilização nas viagens mais rápidas. Não só porque os consumos disparam, mas porque o bem-estar a bordo é prejudicado pelo ruído do motor em aceleração, quando se torna evidente o habitual desfasamento das caixas do tipo CVT entre a carga de acelerador, a subida de regime e o real aumento de velocidade. Ainda assim, este restyling trouxe muitas melhorias neste aspeto e o ruído desconcertante surge apenas em acelerações de pé a fundo.

Dinâmica

O Micra é um vencedor nesta “disciplina” da dinâmica, pois não são necessários muitos quilómetros para se perceberem as capacidades do excelente chassis. É que, mesmo estando longe de ser um desportivo, o Nissan consegue entusiasmar o mais pacato dos condutores, não pelas performances, mas pelo desempenho nas passagens em curva. A dianteira é muito incisiva e obediente à direção e a traseira demonstra agilidade pouco comum num veículo deste segmento. O Polo, que também é muito bom nesta matéria (proporciona um bom compromisso conforto/comportamento), reclama as mesmas qualidades do Micra, apesar do grau de eficácia ser ligeiramente inferior. Ou seja, o VW continua a merecer todos os elogios relativos à sua dinâmica, mas a verdade é que o Nissan consegue surpreender, até com este 1.5 dCi a gasóleo. O motor do VW tem maiores dificuldades em “respirar” junto dos regimes mais elevados.

Uns furos abaixo destes dois está o Toyota. Apesar de competente e seguro, prefere uma utilização mais tranquila, com bons limites de aderência e resistência à subviragem. Exibe reações previsíveis e uma boa resposta às solicitações do condutor.

Espaço e conforto

Outra vantagem do Micra é a de ser mais confortável do que os seus rivais, mesmo com as jantes de 17”. A Nissan conseguiu um dos melhores “pisar” do segmento, mesmo em piso mais degradado, ainda que a traseira não seja tão robusta na absorção do piso como o eixo dianteiro.

Neste ponto o Yaris merece novo destaque porque a evolução foi grande, tanto na resposta da suspensão como na sensação de solidez e na insonorização, evoluções que tornaram o renovado Yaris bem mais refinado. O interior do Toyota continua a ser “cinzento”, mas os materiais estão acima da média. Ainda asssim, não chega para superar os dos Polo ou os do Micra, sendo que o contendor nipónico consegue uma homogeneidade de plásticos macios bem dividida no tablier, mas revela uma evidente falta de espaço no interior. A bagageira é a maior (300 litros), tirando partido do facto do Micra ser o mais comprido dos três, mas o espaço em comprimento atrás está ao nível do apresentado por alguns citadinos. Na sua presença o Polo é mais espaçoso, sendo mais largo e um pouco mais comprido atrás. O modelo alemão perde na capacidade da mala, com 280 litros. A diferença não é grande face aos 286 litros do Yaris e aos 300 do Micra, mas o Polo tem claramente a mala que apresenta melhores acabamentos e uma prateleira que a divide em dois espaços. Ainda assim, não vimos razão para criar diferenças pontuais.

Conclusão

Discutido até ao último item, o resultado deste comparativo é o espelho da proximidade de argumentos das três propostas. Preço e equipamento ditam a diferença, já que o Micra e o Yaris são os mais baratos e disponibilizam mais equipamento. Quanto ao Polo pouco tem para oferecer, até no equipamento quando comparado com os rivais. Nas garantias, VW e Toyota contam com 5 anos e o Nissan com 3 anos na mecânica. Mais uma vez, ficou provada a valia do híbrido, principalmente para quem faz muitos quilómetros em cidade, com uma ou outra viagem de exceção, e aposte na paz de espírito em relação à manutenção dos Diesel.

O resto passa muito pelo gosto pessoal.

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