Os Diesel “pequenos” são competentes e poupados, mas há quem ache pouco e veja os motores 2.0 a gasóleo como a escolha mais ajustada para o seu familiar compacto. O Astra 2.0 CDTI enfrenta aqui os rivais da Fiat e da Seat.

Já por cá passaram as versões “ecológicas” da esmagadora maioria dos familiares compactos – ao que parece, só falta ensaiar o Astra 1.3 CDTI Ecoflex. São propostas de um pragmatismo difícil de contrapor, num cenário cada vez mais orientado para a economia/ecologia, em detrimento da performance e do prazer de condução.

Felizmente, as marcas ainda têm resposta para os que, sem perder de vista a poupança de combustível, querem um pouco mais de motor e preferem ter o seu automóvel com pneus realmente aderentes, em vez daquelas escorregadias tiras pretas de baixo atrito...

O Astra 2.0 CDTI de 160 cv foi a mais recente entrada neste sub-segmento dos “dois litros Diesel” e, para ver até que este Opel nos aquece o sangue, decidimos juntar-lhe duas propostas “latinas”: o Fiat Bravo 2.0 Multijet Sport R, de 165 cv, e o Seat Leon FR TDI, com os 170 cv exemplarmente espremidos pela caixa de dupla embraiagem DSG – pela eficácia, inigualável pela concorrência, e por ser activamente responsável pelo prazer de condução do Seat, achámos por bem considerar este argumento tecnológico. Potência não falta, pneus também não e todos eles têm uma aparência musculada, em sintonia com as prestações anunciadas pelas marcas…

Com a família…
Qualquer um deles tem potencial para ser o próximo automóvel “lá de casa”. Espaçosos e práticos q.b., têm bagageiras de volume condigno e listas de equipamento de segurança que tranquilizam qualquer chefe de família.

O Bravo tem detalhes de montagem menos conseguidos e é o que mais range ao passar sobre mau piso, ao passo que o Leon e o Astra são mais sólidos e incutem maior confiança quanto aos efeitos nefastos da passagem do tempo. A diferença está na qualidade dos materiais, com o Seat a revelar uma selecção de revestimentos muito modesta, sendo pouco condizente com o segmento em questão e, mais grave ainda, com o preço a que é proposto…

Com o Opel, essa questão não se coloca, notando-se o maior cuidado na disposição de materiais suaves em torno dos ocupantes, mas ainda não nos habituámos à confusa apresentação da consola central, tal é a quantidade de botões ali concentrada.

O modelo espanhol está mais preocupado em criar o ambiente certo para quem gosta de carros desportivos, saindo-se muito bem neste capítulo: os bancos têm tão bom aspecto que dá vontade de levar um deles para casa e fixá-lo em frente à televisão, para melhorar a “condução” no Gran Turismo da Playstation; o volante multifunções tem qualquer coisa de Lamborghini Gallarado, incluindo o escorregadio plástico daquela secção achatada; o aspecto espartano da consola central, com pouquíssimas funções disponíveis, para não distrair o “piloto”. Mas voltando ao início do parágrafo, o Leon FR é para famílias enérgicas, com dorsais bem trabalhados e que protegem a coluna dos impactos provocados pela combinação das suspensões desportivas com os pneus de baixíssimo perfil. Embora não seja um martírio, é desaconselhado para os que dão a primazia ao conforto.

Para esse género de condutor, o Astra com suspensão Flexride é a melhor proposta, digerindo as imperfeições com uma suavidade que impressiona, tanto mais que calça jantes de 18 polegadas! Os bancos deixaram de ser o cavalinho de pau das anteriores gerações e os desta unidade (1000 euros) são especialmente cómodos, contando com aquecimento, múltiplas regulações e estofos em pele.

E a sós…
Com médias de consumo tão aproximadas, na casa dos 6 l/100 km, todos eles passam no teste da poupança e provam que é possível ter performance e espírito ecológico. Fiat e Opel são fáceis de conduzir – o primeiro é melhor na resposta ao acelerador, o segundo tem comandos mais leves – e acompanham-nos no quotidiano sem problemas de maior, mas as suas caixas manuais pouco podem fazer contra a “automática” do Seat.

Que descanso. Seleccione D e siga viagem, as passagens combinam rapidez e suavidade de actuação “à boa maneira DSG”, sem deixar de ser muito ajuizada quando aceleramos com mais convicção.

Agora, a cidade já ficou para trás, estamos no início de uma desafiadora estrada de curvas e contracurvas, com algum “sobe e desce” e secções onde as mecânicas conseguem encher o pulmão. Os três carros aguardam a sua vez e o Fiat é o primeiro a sair à estrada. As suspensões são muito brandas, a direcção diz pouco sobre o que se passa com a frente e o pedal de travão é tão esponjoso que se torna difícil modelar a força no pedal, mas o Bravo é daqueles carros em que o resultado final supera a mera soma das partes. Talvez seja a resposta possante do motor acima das 2000 rpm, o certo é que o Fiat compensa a falta global de eficácia com uma performance contundente que exige empenho humano.

Ao passar para o Opel, fica claro que subimos uns patamares na escala da eficácia. Com a suspensão Flexride no modo Sport, o Astra fica mais seco e imediato na resposta ao volante, sem deixar de ser tolerante nas irregularidades e naquelas bermas que se podem “cortar”. As travagens mais estáveis, as passagens em curva mais rápidas e o absoluto controlo de movimentos fazem-nos esquecer a prestação do Fiat, mas as prestações ficam claramente abaixo das do italiano, a caixa é lenta e o eixo traseiro está tão agarrado ao asfalto que reduz a agilidade e a interactividade do Astra a zero – são os pneus dianteiros que fazem todo o serviço. É a eficácia servida da forma mais fria e pouco entusiasmante possível.

Com o Seat o cenário é bem diferente. Além da precisão milimétrica e da estabilidade, o Leon FR permite-nos sempre ajustar a atitude em curva, mesmo quando abusamos da sorte e lhe pedimos mais do que era suposto. O ESP não se desliga, ao contrário do Opel, mas a electrónica permite algum escorregamento antes de intervir e as patilhas no volante fazem-nos crer que, a cada passagem de caixa, estamos a deixar os rivais cada vez mais para trás. E estamos mesmo.

 


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