Dos passeios do Escape Livre já todos leram elogios à gastronomia, cultura e paisagem. Mas para comprovarmos se têm razão os que acusam a aventura de pachorrenta, integrámos o “4Matic Experience” para, ao volante de um GLK, medirmos a aventura em adrenalina.

No regresso dos passeios do Escape Livre não há convidado - e o Autohoje já enviou bastantes - que não teça rasgados elogios aos dias de aventura: passam por onde nunca sonharam; provam e degustam iguarias que desconheciam e aprendem histórias que nunca lhes contaram. A única crítica que ouvimos até hoje, e mesmo essa bem-disposta, claro, tocava o assunto dos “horários militares”. O Luís Celínio, dizem-nos, “.... marca horários ao minuto e de manhã acorda-nos com as galinhas.” Convém dizer que alguns destes comentários vêm de quem lancha pela meia-noite. E relembrar, como qualquer participante ou organizador de eventos bem sabe, que com horários liberais, facilmente ficarão metade das coisas por fazer.

Mas não foi a temática do tempo que nos levou a este evento 4Matic com umGLK, o mais suave dos SUV Mercedes - para já. Os mais radicais do todo-o-terreno comentam entre si que os eventos do tipo daqueles que o Escape Livre promove - e na verdade são praticamente os único a fazê-lo com esta qualidade - são demasiado brandos. Muito sociais, com boa cultura e mesa, mas sem adrenalina. Pois não é verdade. Claro que os inexperientes, e ainda mais os estreantes nestas andanças, chegam extasiados com os feitos; talvez um pouco exageradamente impressionados. Mas esse sentimento é exatamente a experiência que queremos garantir quando, em colaboração com o Escape Livre, oferecemos a participação de leitores do Autohoje nestas andanças. Por outro lado, também é verdade, ou pelo menos deveria ser, que se participarmos num passeio destes com um G igual ao que testamos nesta edição, não chegará a experimentar metade das capacidades trialeiras; não é esse o objetivo. Com o GLK subimos corta-fogos, atravessámos cursos de água, mergulhámos em lama leve, cruzámos bosques e o único dano sofrido, foi um para-brisas rachado por uma pedra que saltou do solo da... A24, uma das mais infames autoestradas portajadas. Mas passemos à experiência com o GLK que utilizámos, no caso um 250 CDI 4Matic com pack AMG. Como o passeio arrancou da zona da Régua e terminou para os lados de Guimarães, nós, que fomos de Lisboa, atravessámos por duas vezes mais de metade do país a pagar Classe 1 nas portagens das Autoestradas, dessas, das verdadeiras, e das outras, que só o são para efeitos de cobrança. E apesar do ritmo acelerado, do peso a bordo, da tração integral e da chuva diluvial que caiu nesse fim de semana (e a água faz quase tanto atrito como a areia) acabámos os mil quilómetros de aventura com uma média inferior a dez litros de gasóleo. E isto inclui, por exemplo, 20 deliciosos quilómetros em estradão, com curvas largas feitas em terceira na casa dos 80/100 km/h. O GLK tem um controlo de chassis muito equilibrado e a progressão de um bom “propulsão” traseira que passa motricidade também para a frente através de um diferencial central mecânico. E é no GLK que os quatro cilindros biturbo Diesel com 204 cavalos melhor assentam: aqui soam a mais silencioso e até parece mais potente. Tem elasticidade suficiente para, em cima das 2500 rpm, conseguir colocar a escorregar as quatro rodas com uma facilidade de controlo impressionante. E fazendo o escorregar da curva mais de acelerador do que de volante, o ESP nem chega a entrar: deixa escoar a potência pelas quatro rodas em proporção perfeita. O mérito é, em boa parte, da suspensão que não só garante movimentos suaves e controlados da carroçaria, como ainda é capaz de absorver com notável facilidade (leia-se sem que se sintam efeitos no interior) os estreitos regos que atravessam, de surpresa, estes estradões. Mais impressionante só lembrando que estamos a falar de uma unidade com jantes de 19 polegadas. Sim, 19”. E como os pneus, no todo-o-terreno, chegam ter mais importância do que o efeito 4x4 o louvor aos Continental 4x4 Contact que apesar do ar inofensivo, arrancaram ótima motricidade em rocha escorregadia e pedra e limpam muito bem depois de mergulhados em lama. Excelente compromisso para asfalto/TT. O GLK não é alto - a Mercedes não esclarece a medida que deverá rondar os 20/21cm - mas nunca bateu por baixo. Claro que nas valas mais trialeiras usámos e abusámos da passagem cruzada e do efeito pêndulo que o bem calibrado controlo de tração resolve sem dificuldade nem insistência. E deixa esgravatar as quatro rodas quando nenhuma delas tem atrito, ou bloqueá-las em travagens de muito baixa velocidade. Tudo isto se faz com um único botão (o opcional pack offroad) e algum jeito de volante. Não são momentos radicais, mas podem ser partilhados por toda a família.

Sandro Mêda

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