E se formos a um passeio TT com um Jeep Wrangler em versão de tração traseira? Foi precisamente isso que fizemos na edição 2014 do TT Transgeopark.

As épocas de crise fomentam o nascimento de soluções criativas para baixar custos. A versão nacional do Jeep Wrangler 4x2 é um desses exemplos caricatos derivados da legislação fiscal (atenção, que impostos estúpidos existem em todos os países e estão longe de ser um exclusivo nacional): basta tirar o veio de transmissão que vem da caixa de transferências para o diferencial dianteiro e colocar umas tampas nos respetivos buracos para o Jeep Wrangler ficar, instantaneamente, 9 000 euros mais barato, pois passa a ser considerado uma pick-up de trabalho. Como é fácil de concluir, tirando a tração 4x4, o Wrangler mantêm todas as outras funcionalidades, incluindo as redutoras.

Ora, nada melhor para testar o que faz (e, sobretudo, o que deixa de fazer este Wrangler 4x2) que comparecer num passeio todo o terreno. Tomada a decisão, o ambiente familiar e bem-disposto do TT Transgeopark organizado pela Casa do Forno de Salvaterra do Extremo é o ideal, pois está garantido que vamos passar bons momentos quando precisarmos de ser rebocados. Aliás, quando informámos João Geraldes desta audácia ficou logo estabelecida uma bolsa de apostas sobre qual a subida em que íamos ficar.

A aventura

Da Planície à Meseta foi o tema do passeio de 2014, e, como sempre, teve na beleza das paisagens e na exclusividade dos locais atravessados dois dos pontos fortes. Por manifesto azar, não conseguimos tirar pleno partido de termos participado no primeiro passeio TT com direito a passar pela zona protegida do parque natural da serra da Malcata (com direito a guia do parque natural), já que entre a cota dos 500 m aos 1000 m de altitude pouco mais víamos que as luzes de presença do carro à nossa frente, tal a densidade do manto de nevoeiro.

Como os nossos leitores sabem, os pontos mais importantes para evoluir fora de estrada são altura ao solo e o equipamento pneumático, dois aspetos em que o Wrangler 4x2 é exatamente igual à versão 4x4, que também não perdeu nada da robustez típica do Jeep, o que permite enfrentar pisos degradados e duros com uma paz de espírito impossível num SUV, mesmo que 4x4. É claro que uma ou outra zona exigiram uma abordagem mais planeada (por exemplo, ter o cuidado de não seguir demasiado próximo do carro da frente em subidas mais ingremes para ter possibilidade de escolher um local com tração para parar em caso de necessidade), ou usar o balanço para superar algumas situações em que a tração poderia ser um fator crítico. Nas descidas podemos contar com a ajuda das redutoras mas como a retenção é feita apenas com o eixo traseiro a estabilidade é menor (as rodas podem bloquear), podendo ser necessário corrigir com a direção e acelerar suavemente para recuperar a aderência e o controlo.

Porém, mesmo com todos os truques e o auxílio do eficaz controlo de tração, subidas muito ingremes com piso solto e irregular, assim como cruzamentos de eixos, estão para lá das possibilidades do Wrangler 4x2, principalmente se adicionarmos à equação elementos principalmente escorregadios como, por exemplo, lama, neve e gelo. Mas para isso o melhor é ler a caixa dedicada que acompanha esta peça. 

Em conclusão, o Wrangler 4x2 faz 95% de um passeio TT normal, 50% de um passeio TT radical como, por exemplo, o dia da lama do clube Land Rover (e mesmo estes quando estão bem pensados possuem sempre percursos alternativos para contornar os obstáculos mais exigentes) e 100% dos cada vez mais populares eventos fora de estrada destinados a SUV’s 4x2. Por outro lado, 9 000 euros dão para comprar um excelente guincho e pagar muitos almoços e jantares aos amigos que nos vão rebocar de situações embaraçosas. São opções.

Pedro Silva

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